- (...) Ela não faz ideia da dor que me provocam suas contínuas observações a respeito dele. Mas não vou me queixar. Isso não pode durar muito. Ele será esquecido e voltaremos todos a ser como éramos antes.
Elizabeth olhou para a irmã com incrédula solicitude, mas nada disse.
- Você não acredita em mim – exclamou Jane enrubescendo um pouco – , mas não tem razão. Ele pode viver nas minhas lembranças como o homem mais amável que já conheci, mas é tudo. Não tenho qualquer esperança ou temor e dele não tenho queixas. Graças a Deus! Não sofro com essa dor. Um pouco de tempo, portanto, e sem dúvida tentarei melhorar.
Com voz mais forte, logo acrescentou:
- Tenho o conforto imediato de saber que tudo não passou de uma fantasia da minha imaginação, que não magoou senão a mim mesma.
- Minha querida Jane! – exclamou Elizabeth – Você é boa demais. Sua doçura e desinteresse são realmente angelicais; não sei o que dizer. Sinto-me como se nunca lhe tivesse feito justiça, ou a amado como merece.
A srta. Bennet protestou com veemência contra qualquer mérito extraordinário e atribuiu os elogios da irmã a seu caloroso afeto.
- Não – disse Elizabeth –, isso não é justo. Você prefere achar que o mundo todo é respeitável e magoa-se se falo mal de alguém. Basta que eu queira achar que você é perfeita e você é contra. Não tenha medo de que eu me exceda ou abuse dos privilégios de sua boa vontade universal. Não precisa temer. São poucas as pessoas de quem realmente gosto, e menos ainda as que tenho em bom conceito. Quanto mais observo o mundo, mais me decepciono; e cada dia que passa confirma minha crença na inconsistência do caráter humano e na pouca confiança que se deve ter nas aparências de mérito ou sensatez.(...)”
Orgulho e Preconceito
Jane Austen
Jane Austen
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